palacio brejoeiraNo início do século XX, mais precisamente em 1901, esta propriedade foi comprada por um importante comerciante da cidade do Porto, o Conselheiro Pedro de Maria Fonseca Araújo.

Nessa altura, o Palácio da Brejoeira encontrava-se em ruínas e por isso, este encomenda as grandiosas obras de restauro a um arquitecto de Seixas, o arquitecto Ventura terra, que aí constrói uma capela e o jardim de inverno, além de projectar a instalação eléctrica.

A Quinta da Brejoeira foi também reorganizada, sendo construído aí um frondoso bosque, o lago e as grutas, da autoria do horticultor portuense Jacinto de Matos.

Na década de 1930, o Palácio é vendido novamente, passando a ser adquirido pela família a quem ainda hoje pertence e que aí reside, sendo a accionista maioritária da Sociedade Anónima que detém este monumento. Na altura, tornou-se proprietária Hermínia de Oliveira Paes, sendo que esta ordena a reestruturação da propriedade, procedendo à plantação e comercialização do prestigiado vinho Palácio da Brejoeira, de casta Alvarinho.

Há muitos relatos sobre a vida faustosa do Palácio da Brejoeira, sendo muitas as pessoas que terão sido recebidas nesta moradia com uma notável hospitalidade. São presença constante neste local algumas figuras ilustres da sociedade portuguesa, como é o caso do Duque de Saldanha, de pinho Leal, de D. António Alves Martins (Bispo de Viseu) e de José Augusto Vieira, entre outros.

No seu livro “Minho Pitoresco”, José Augusto Vieira fala sobre um jantar num dos “dias bem passados” nesse local, revelando um pouco mais sobre o ambiente que aí se vivia. Diz ele que era hábito cantar-se, dançar-se e fazer-se música nos salões do Palácio, festas essas que entravam pela noite dentro, nas belas noites de luar de verão.

Segundo António Sá Vieira, o barbeiro do Conselheiro Pedro Araújo, eram muitas as festas no Palácio e os hóspedes ilustres que por aí passaram, pelo menos até 1920. A exemplo disso, relata-se que, em 1910, o irmão do rei D. Carlos, D. Afonso de Bragança, numa visita que fez a Monção, acabou por pernoitar no Palácio da Brejoeira. No entanto, esta ligação da família com alguns dos membros da monarquia acabaria por causar alguns dissabores à família que era proprietário do Palácio nessa altura, sendo que, com a implantação da República, o filho de Pedro de Araújo viu-se mesmo obrigado a procurar refúgio fora do país.